Ora, bolas...
Sou um crítico deste governo que temos. Numa época de crise como esta que vivemos, que não pode haver margem para erros, acho que se tem feito asneiras atrás de asneiras. Não tenho usado muito este espaço para apontar o dedo ao governo português porque acho que não é o sítio indicado para o fazer. Prefiro fazê-lo em conversa, defendendo os meus pontos de vista, escutando as opiniões diferentes.
Hoje, faço-o em forma de desabafo.
Para quem não sabe, sou diabético insulino-dependente. Não me sinto uma vítima por sê-lo, mas como é fácil de imaginar, tenho algumas “chatices” com a doença. Apesar de ter uma vida perfeitamente normal, tenho de ter alguns cuidados, sendo o principal, a administração de insulina 3 a 6 vezes ao dia, por via injectável. Se fizer tudo como “deve ser”, ainda devo fazer 3 a 4 controlos diários da glicemia (nível de glicose no sangue), através da “conhecida” picada no dedo.
Há tempos, surgiram boas notícias para os diabéticos insulino-dependentes. Foi anunciado que começaram a comercializar uma máquina muito mais prática para administrar a insulina no corpo. Para não entrar em muitos pormenores técnicos e “chatos”, basta dizer que a tal máquina substitui as cerca de 180 injecções mensais que tenho de auto-administrar, por cerca de 10. Isto, sem falar no maior controlo que a máquina efectua sobre a doença e o aumento da qualidade de vida.
Ainda não havia pormenores comerciais, mas havia de ser cara, certamente.
- Ora, bolas…
No dia 14 de Novembro (dia mundial do diabético) o governo português anunciou que a máquina seria comparticipada a 100% pelo Estado. Excelentes notícias!
A minha consulta de Endocrinologia estava para breve; tinha que me informar junto da minha médica.
Afinal, não é bem assim. A verdade é que o governo português calcula que nos próximos 5 anos possa comparticipar 500 máquinas (100 por ano?).
- Ora, bolas…
Mas ainda não está tudo perdido.
- Mas quanto custa a máquina?
- 3.510 Euros! E os consumíveis custam cerca de 120 Euros/mês. I.V.A. incluído.
(Vá lá!...)
OK… Num universo de cerca de 60.000 diabéticos insulino-dependentes em Portugal, vamos passar a ter diabéticos de 1.ª e de 2.ª…
Mas, calma. Não é uma questão de sorte ou azar. Não...
Se não se tratar de familiares de ministros, secretários de Estado ou similares, os “candidatos” terão que ser examinados por uma junta médica para se certificarem que o paciente é “merecedor” ou não.
Hoje, faço-o em forma de desabafo.

Há tempos, surgiram boas notícias para os diabéticos insulino-dependentes. Foi anunciado que começaram a comercializar uma máquina muito mais prática para administrar a insulina no corpo. Para não entrar em muitos pormenores técnicos e “chatos”, basta dizer que a tal máquina substitui as cerca de 180 injecções mensais que tenho de auto-administrar, por cerca de 10. Isto, sem falar no maior controlo que a máquina efectua sobre a doença e o aumento da qualidade de vida.
Ainda não havia pormenores comerciais, mas havia de ser cara, certamente.
- Ora, bolas…

A minha consulta de Endocrinologia estava para breve; tinha que me informar junto da minha médica.
Afinal, não é bem assim. A verdade é que o governo português calcula que nos próximos 5 anos possa comparticipar 500 máquinas (100 por ano?).
- Ora, bolas…
Mas ainda não está tudo perdido.
- Mas quanto custa a máquina?
- 3.510 Euros! E os consumíveis custam cerca de 120 Euros/mês. I.V.A. incluído.
(Vá lá!...)
OK… Num universo de cerca de 60.000 diabéticos insulino-dependentes em Portugal, vamos passar a ter diabéticos de 1.ª e de 2.ª…
Mas, calma. Não é uma questão de sorte ou azar. Não...
Se não se tratar de familiares de ministros, secretários de Estado ou similares, os “candidatos” terão que ser examinados por uma junta médica para se certificarem que o paciente é “merecedor” ou não.
Será que estamos a falar das mesmas juntas médicas que têm examinado os professores que pediram reforma antecipada ou que estão de baixa?
- Ora, bolas…
- Ora, bolas…
(Fotos: Roche Portugal)